quarta-feira, 26 de abril de 2017

Sobre o uso de Modafinil e Ritalina em crianças e seus efeitos colaterais - Drs. Ahmed Dahir Mohamed e Alysson Muotri

Modafinil,  Stavigile no Brasil, comercializada também como Provigil, Vigil, Modioda, Modavigil, Vigicer. Nos EUA, os riscos foram considerados altos de mais e o medicamento foi proibido para crianças.



Os estudos de Ahmed Dahir Mohamed comprovam que o uso desses remédios sem necessidade clínica pode causar efeito contrário, comprometendo capacidades cognitivas. É o caso dos trabalhos com o modafinil. “Tomar modafinil parece reduzir a criatividade ou o pensamento ‘fora da caixa’ em pessoas saudáveis que normalmente são criativas”, aponta.
UNISINOS ENTREVISTA Ahmed Dahir Mohamed (veja sinopse biográfica ao final)

IHU On-Line – Que efeitos colaterais podem ser atribuídos ao uso desse tipo de drogas?
Ahmed Dahir Mohamed – Estudos experimentais mostraram que o modafinil, por exemplo, pode causar sérios efeitos colaterais, que incluem um prurido e reações alérgicas. Esses efeitos colaterais incluem boca seca, restrição do apetite, perturbações gastrointestinais, incluindo náuseas, diarreia, constipação e dispepsia, dor abdominal, taquicardia, vasodilatação, dor no peito, palpitações, dor de cabeça, incluindo enxaqueca, ansiedade, distúrbios do sono, tonturas, sonolência, depressão, confusão, parestesia, astenia, perturbações visuais, Síndrome de Stevens-Johnson (*leia sobre SSJ - além de esfoliação - queima e coceira da pele - provoca alucinações, irritabilidade e pensamentos suicidas)  e necrólise epidérmica tóxica.

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SÍNDROME DE STEVENS-JOHNSON


Síndrome de Stevens-Johnson (SJS) e um novo fármaco anti-epiléptico, oxcarbazepina, está estruturalmente relacionado com a carbamazepina, também tem sido demonstrado como indutor de SJS." ( NCBI -Gov.EUA) - Trileptal - carbamazepina - oxcarbazepina - Tegretol -


Os efeitos colaterais provocados pelo modafinil são irritabilidade, excitação, tremores, tontura, dor de cabeça, náusea, dor abdominal, pressão alta e palpitações. Esses efeitos podem ser muito perigosos, especialmente para quem possui problemas cardíacos ou circulatórios, precipitando arritmias e acidentes vasculares. Já foi relatado também o surgimento de problemas de pele decorrentes do uso.

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As contraindicações dessas drogas incluem problemas cardíacos e deficiências hepáticas. Além disso, se alguém estiver tomando outros medicamentos, poderá haver interações farmacológicas, que poderiam ser perigosas em alguns casos. É importante notar que a Ritalina, por exemplo, tem sido associada com o crescimento atrofiado e a impotência em homens. Por favor, é sempre importante consultar o Formulário Nacional Britânico  e as bulas fornecidas pelos fabricantes. Elas vão dizer a você quais são os potenciais efeitos colaterais.
Pressão Social
Por exemplo, 33% dos entrevistados de uma recente pesquisa feita pela prestigiada revista científica Nature indicaram que se sentiriam pressionadas a dar medicamentos para seus filhos se outras crianças na escola os estivessem tomando. Ainda pode haver pressões sociais para usar drogas médicas, particularmente entre os jovens. Uma recente pesquisa realizada nos EUA revelou que os estudantes universitários são mais propensos a tomar medicamentos se tais drogas forem eficazes e enquadradas como não ameaçadoras à sua individualidade, que as tomariam se elas os tornassem mais competitivos e lhes dessem uma vantagem. Portanto, isso levanta a questão ética que surge a partir do uso de medicamentos por causa da pressão social indireta da sociedade, que exige que constantemente nos demos bem em todas as tarefas em todas as áreas das nossas vidas. No entanto, o indivíduo ainda tem a escolha de participar ou não dessa cultura.
Também é importante notar que o modafinil é usado como medicamento substitutivo para pacientes com vício em cocaína, porque a droga ativa áreas do cérebro similares assim como a cocaína e possui propriedades semelhantes à cocaína. http://www.ihuonline.unisinos.br/index.php?option=com_content&view=article&id=6486&secao=487 


MENOS "BARATO" E MAIS COGNIÇÃO


Fim dos anos 70. Um laboratório francês começa a procurar soluções para a narcolepsia, um distúrbio que causa sonolência excessiva durante o dia e afeta 0,2 a 0,5% da população mundial. Depois de muitos anos de pesquisa, os cientistas chegam a uma droga promissora, que aparentemente não tem os efeitos colaterais dos outros tratamentos. Ninguém sabe exatamente como ela funciona (parece alterar os níveis de vários neurotransmissores, como dopamina, serotonina e noradrenalina, e com isso facilitar a comunicação entre os neurônios), mas o fato é que funciona. E o melhor: não provoca euforia, não dá "barato" e não vicia – os grandes problemas dos remédios até então usados para tratar a narcolepsia. O novo medicamento é batizado de modafinil e lançado na França em 1994. Logo atrai o interesse dos militares. O Exército francês, e depois o americano, começaram a testar o remédio. O objetivo não é criar uma safra de guerreiros superinteligentes – é simplesmente evitar que durmam. E funciona. “O modafinil permite que indivíduos saudáveis fiquem acordados por mais de 60 horas, sem efeitos colaterais”, conclui um estudo do governo francês. Imagine só.
Foi o suficiente para explodir o interesse no modafinil, que começou a ser apresentado pelo fabricante (a empresa americana Cephalon, que comprou o remédio dos cientistas franceses) como uma solução para quem vive cansado e deseja ter mais energia no dia a dia – o laboratório tentou aprovar sua droga até como remédio para jet lag. Essa ofensiva de marketing foi considerada irresponsável pelo governo americano, que aplicou uma multa milionária no laboratório. Mas isso não foi o suficiente para brecar a mania do modafinil, cujas vendas quintuplicaram e bateram em US$ 1 bilhão anuais. E isso só nos EUA, sem contar os outros países (entre eles o Brasil, onde a droga foi lançada em 2011).
Há muito se tem notícia de pessoas que desejam o "aprimoramento" de seu cérebro. 
"O escritor Honoré de Balzac, no início do século 19, tomava café aos montes para produzir, porque a bebida “afasta o sono e nos dá a capacidade de nos manter por mais tempo no exercício de nosso intelecto”. E Sigmund Freud acreditava que a cocaína pudesse ser um poderoso auxílio para a mente. Mas os estimulantes só entraram na era moderna em 1929, quando o químico Gordon Alles introduziu o uso médico das anfetaminas (para tratar asma e bronquite). Na 2a Guerra Mundial, elas já tinham feito a cabeça das pessoas – tanto os nazistas quanto os aliados distribuíam a droga a seus soldados no front. Deve ter sido, além de a mais violenta, a guerra mais insone e neurótica de todos os tempos. Afinal, como você já deve ter ouvido falar, as anfetaminas são estimulantes fortíssimos – e tão viciantes quanto as piores drogas ilegais."
(...)
EFEITOS COLATERAIS MORAIS
“É óbvio, já começaram a surgir discussões éticas sobre isso”, conta Alysson Muotri, biólogo molecular brasileiro que trabalha na Universidade da Califórnia. Ele trabalha especificamente com o fenômeno da neurogênese – a produção de novos neurônios no cérebro, um dos caminhos pelos quais as pílulas da inteligência podem melhorar a performance cerebral das pessoas. Para Muotri, não há nenhum problema em desenvolver e testar as drogas da inteligência. “Se um cientista achar que usar esses medicamentos melhora seu desempenho, não vejo nada contra (ele tomar o remédio). Afinal, a meta é fazer descobertas que beneficiem a humanidade.” Mas outra coisa, bem diferente, é permitir que a indústria farmacêutica promova livremente essas pílulas.
Por uma razão simples: os efeitos colaterais. Os estimulantes mais usados hoje, como o Ritalin e as anfetaminas, já têm efeitos colaterais bastante conhecidos – e graves. Os riscos vão desde problemas cardíacos a alucinações, sem falar na grande possibilidade de o usuário se viciar. Mas mesmo as drogas mais recentes, embora aparentemente menos perigosas, não são livres de riscos. 




Modafinil tem seu uso PROIBIDO para crianças

O modafinil, por exemplo, que foi apresentado como uma droga praticamente livre de efeitos colaterais, teve problemas com o governo dos EUA em 2006, quando o fabricante tentou liberar seu uso em crianças, para tratar casos de distúrbio de déficit de atenção. Descobriu-se que, em alguns poucos casos, o modafinil pode causar irritações extremamente agressivas na pele. Não é uma coceirinha. É uma doença chamada Síndrome de Stevens-Johnson, que pode exigir internação hospitalar e levar à morte. O governo dos EUA considerou esse risco alto demais, e não liberou o modafinil para crianças.

E a verdade é que ninguém sabe quais são os efeitos de longo prazo dessa e das outras drogas. No curto prazo, elas de fato parecem dar alguma vantagem a seus usuários. Mas o que acontece depois de 10, 15 anos de uso? Nenhum estudo chegou a atingir essa maturidade, de forma que as respostas ainda estão por vir – ao mesmo tempo em que milhares de pessoas conduzem o mesmo teste, sem controle algum, em seus próprios cérebros. Mas as primeiras pesquisas com animais estão revelando resultados preocupantes.
Alguns dos remédios parecem aumentar a neurogênese, ou seja, aceleram o crescimento de neurônios no cérebro. Só que isso não é necessariamente bom. “Existem algumas situações de neurogênese que são ruins. A epilepsia, por exemplo, aumenta a neurogênese. Mas os novos neurônios formam conexões defeituosas. Ou seja: o nascimento deles mais atrapalha do que ajuda”, afirma Muotri.
A diminuição do sono, que é um efeito comum dos estimulantes (principalmente se tomados à noite), pode ajudar a virar noites rachando de estudar ou terminando trabalhos importantíssimos. Mas estudos feitos em ratos apontam que a privação do sono causa danos ao hipocampo, parte do cérebro que – entre outras coisas- coordena o funcionamento da memória. E isso acontece rápido: 3 dias seguidos sem dormir já são o suficiente para produzir alterações estruturais no cérebro. E, quando falamos de longo prazo, as coisas ficam ainda mais arriscadas. O uso contínuo de estimulantes pode alterar a estrutura e o funcionamento do cérebro, de forma a causar depressão, aumentar a ansiedade e, pasme, deixar a pessoa mais burra.
Pois é. Ao tentar criar uma geração superinteligente de humanos, corremos o risco de terminar com 6 bilhões de toupeiras.
(...)
http://super.abril.com.br/ciencia/a-pilula-da-inteligencia/ (2011)

Um arsenal de bombas
Testes clínicos estão revelando que várias substâncias (entre elas algumas a muito conhecidas) produzem efeitos positivos sobre o funcionamento do cérebro. Mas cada uma delas tem seus próprios riscos.
ADDERALL (MIX DE ANFETAMINAS)
Uso original: tratar déficit de atenção (DDA).
Efeitos colaterais: problemas cardíacos, vício.
ANIRACETAM
Uso original: tratar Alzheimer.
Efeitos colaterais: ansiedade, insônia.
DONEPEZIL
Uso original: tratar Alzheimer.
Efeitos colaterais: náuseas, diarreia.
FLUOXETINA (PROZAC)
Uso original: tratar depressão.
Efeitos colaterais: ansiedade, suicídio.
METIlFENIDATO (RITALIN)
Uso original: tratar DDA.
Efeitos colaterais: convulsões, psicose.
MODAFINIL (Stavigile)
Uso original: tratar narcolepsia.
Efeitos colaterais: doenças de pele, ideias suicidas.
PIRACETAM
Uso original: tratar convulsões.
Efeitos colaterais: ansiedade, tremores.
SELEGILINA
Uso original: tratar Parkinson.
Efeitos colaterais: dor de cabeça, diarreia.
VAPRESSINA
Uso original: tratar diabetes.
Efeitos colaterais: náuseas, coma.


Ahmed Dahir Mohamed - Psicólogo licenciado e registrado no Reino Unido e membro associado da Sociedade Britânica de Psicologia. Atualmente, é membro do pós-doutorado e professor adjunto de Psicologia (Neurociência do Desenvolvimento Cognitivo e Afetivo) na Escola de Psicologia no campus da Malásia da Universidade de Nottingham. Ainda possui licenciatura em Psicologia pela Universidade de Reading, Reino Unido. Obteve seu doutorado no Departamento de Psiquiatria da Escola de Medicina Clínica da Universidade de Cambridge. Também é professor visitante de Neurociências e Ética no Centro de Bioética da Universidade de Otago, Nova Zelândia. Tem publicações na área de neurociências e neuroética do melhoramento cognitivo e do bem-estar subjetivo. Acaba, agora em 2015, de completar a coedição de um livro pela Oxford University Press, intitulado Rethinking Cognitive Enhancement: The Neuroscience of Cognitive and Physical Enhancement, com o professor Wayne Hall (Universidade de Queensland, Austrália) e o professor Ruud Ter Meulen (Universidade de Bristol, Reino Unido). 

Alysson Muotri - PhD em Genética pela USP, biólogo molecular,  pesquisador do Instituto Salk para Estudos Biológicos, em La Jolla, San Diego, Califórnia, onde realiza pós-doutorado em Neurociências. Desenvolve estudos sobre neurogênese, focando especialmente em autismo. Professor do Departamento de Pediatria e Medicina Celular e Molecular da Universidade da Califórnia.


Querendo, leia também:

Mãe só descobre que o medicamento não é para déficit
de atenção ao receber a negativa de gratuidade no
recebimento pelo SUS. E quantas mães vão, confiantes,
até o balcão da farmácia, receita na mão, e levam
oxcarbazepina (oxcarbazepine) para a criança
diagnosticada como desatenta?



Por Marise Jalowitzki
28.setembro.2015
http://tdahcriancasquedesafiam.blogspot.com.br/2015/09/tdah-oxcarbazepina-e-proibida-no-brasil.html









 Marise Jalowitzki é educadora, escritora, blogueira e colunista. Palestrante Internacional, certificada pelo IFTDO - Institute of Federations of Training and Development, com sede na Virginia-USA. Especialista em Gestão de Recursos Humanos pela Fundação Getúlio Vargas. Criou e coordenou cursos de Formação de Facilitadores - níveis fundamental e master. Coordenou oficinas em congressos, eventos de desenvolvimento humano em instituições nacionais e internacionais, escolas, empresas, grupos de apoio, instituições hospitalares e religiosas por mais de duas décadas Autora de diversos livros, todos voltados ao desenvolvimento humano saudável. marisejalowitzki@gmail.com 

blogs:

http://tdahcriancasquedesafiam.blogspot.com.br/

Para adquirir e obter mais informações, veja no blog  (AQUI) ou encaminhe e-mail para:
marisejalowitzki@gmail.com  






quarta-feira, 5 de abril de 2017

TDAH e a Escola com Metodologia Montessoriana - O Resgate da autoconfiança de um menino


TDAH Sem Medicação - Amor, Compreensão, Aceitação! Relato de Mãe




Por Shirley Alessandra
06.abril.2017
http://tdahcriancasquedesafiam.blogspot.com.br/2017/04/tdah-e-escola-com-metodologia.html


Olá querida Marise conforme combinamos estou aqui pra falar em resultado que deu e continua dando certo 😉! Então, vamos lá, primeiro é bom relembrar que pra chegar até aqui, o caminho foi longo e bastante tortuoso.

Do nascimento à escolinha
          
Quando meu querido filho nasceu eu pude perceber que ele era um bebê bastante agitado, cheio de energia, fazia movimentos com as pernas pedalando no ar e todos diziam "esse vai ser jogador de futebol". Coloquei ele na escolinha com um ano e meio, e com três aninhos na educação infantil, foi que veio pra meu espanto uma professora conversar comigo dizendo que todas as crianças já traçaram pontilhado e ele ainda não, que ele não parava quieto na cadeira, e me solicitando que eu fizesse uma consulta com a psicóloga da escola. 

Atendi a solicitação, conversamos, a psi me perguntou sobre a gestação. No final do ano seguinte a escola sugeriu que meu menino ficasse no Jardim e não fosse com 5 aninhos para o pré, porque eles achavam que ele ainda era muito bebê, pro pré.  
                      
Naquela época sem conhecimento, sem instrução, sem onde me aconselhar, achei um absurdo o pedido deles e matriculei ele em outra escola, no primeiro ano do Fundamental. A escola afirmou que era adaptado pra criança de 5 anos, eu acreditei e fiz a matrícula.

  Ensino Fundamental
         
Foi aí que começou o nosso calvário. Naquele ano, das 25 crianças, 24 estavam alfabetizada e ele ainda não, essa diferença entre ele e as crianças começou a ficar evidente, tinha dias que ele voltava chorando pra  casa dizendo "eu sou um burro mesmo, nunca aprendo nada". Eu o abraçava, e explicava que somos diferentes, que cada um tem seu ritmo. 

Na época eu estava na quinta fase de direito, me matriculei também no magistério, a noite na faculdade e a tarde no magistério, o período da manhã era dele. No magistério foi como se me ensinassem a ser um ser HUMANO, MÃE, CUIDADORA, PROFESSORA, foi a experiência de vida que me ajudou a acalmar essa ansiedade, frustração de achar que ele tinha que ser bom, tinha que tirar 10, tinha que ser o aluno exemplar, foi aí que eu desconstrui esse mito,esse desejo de mãe, de o filho atender às expectativas construídas pelos pais para ele.                                  

Mais tarde troquei ele de escola mais uma vez, por questão de localização, colocamos numa mais próxima de casa. 

  Escola e os pedidos de "Diagnóstico" e Medicação
         
Na segunda série ele deslanchou, já lia, escrevia, estava se desenvolvendo muito bem, mas a professora me pediu que fizesse uma consulta com um psicólogo. Atendi prontamente e naquela semana levei. Decorridos três meses, a psicóloga me apresentou um diagnóstico de síndrome de asperger, fiquei atônita, fui estudar a respeito, trabalhamos quase um ano com esse diagnóstico. 

Não satisfeita com os resultados, recebi a indicação de um neuropediatra de Florianópolis Dr. Eugênio Grillo, levei e na primeira consulta ele disse: "Teu filho é TDAH", prescreveu uma medicação (Ritalina) e disse "vamos experimentar, daqui a duas semanas você volta". Até fiquei feliz por ter um diagnóstico, mas, ao mesmo tempo, triste por ter que medicar meu filho. Depois de dois meses, ele retirou a medicação e deixou sem nada, porque segundo ele só deveríamos continuar se tivesse feito um resultado significativo.

Meu filhote estudou nessa escola tradicional até o quarto ano. A escola insistia que eu deveria medicá-lo, que seria melhor pra ele. Levei ele em outro neuro, para uma segunda opiniao, ele passou imipramina, resolvi dar, contrariada, sentia que estava errando. 

Conheci Marise, essa amiga tão especial, que me ajudou muito, munindo de informação. Encontrei o Grupo, li muito: o Livro TDAH Crianças que Desafiam, os artigos do blog. Cortei a medicação psicotrópica e parti pra homeopatia. Deu certo. 

Nessa época aconteceu um episódio lamentável, quando num momento de troca de professoras, momento atribulado, a professora nova, sem jogo de cintura, no primeiro dia dela de aula, pediu que as crianças sentassem em dupla. Ele ficou sobrando, a 'sora' olhou e disse: "Vai fazer o trabalho SOZINHO!" Ele, que já vinha de um processo de rejeição há anos, começou a chorar, guardou o material e disse que ia embora. Indo em direção à porta,  a professora manda as CRIANÇAS segurarem ele.....enfim, quando lembro disso,  meu coração ainda fica em pedaços porque foi uma sucessão de erros.



  O Resgate: Escola com Metodologia Montessoriana
         

Na semana anterior ao ocorrido eu já estava pesquisando outros lugares pra matrículá-lo, e justo nesse dia eu havia ido numa escola montessoriana e me apaixonado (sim, foi um caso de amor com a escola). Quando entrei, o acolhimento, a cordialidade, a horta, os codornas, tudo ali muito simples, mas muito organizado, limpo e o principal: a diretora entendia perfeitamente o comportamento de uma criança TDAH, e lidava muito bem, pelas histórias que me contou. 

Estávamos na metade do ano letivo, devido ao triste episódio na outra escola, não hesitei, troquei ele para esta montessoriana no mesmo dia. Quando voltei à tarde, ao contar à diretora o que me fizera optar pela transferência, a diretora me ouviu atentamente, contei tudo o que tinha acontecido com ele desde o ingresso na vida escolar. Ela resumiu:
" - Ele precisa voltar a gostar de estudar, ele precisa ver e sentir que a escola é legal, o trabalho agora a ser feito com ele é de resgate, investir na autoestima dele e fazer ele voltar a gostar desse ambiente."



 A escola pede aos pais que levem as crianças pelo menos meia hora mais cedo pra que elas brinquem no pátio, lá tem disponível carrinhos, bonecas, bolas, mesa de pebolim, casa de boneca, etc.

No final do ano o resgate aconteceu com sucesso, o meu querido filho simplesmente AMA a escola, a professora, os amigos, ele ja não sofre mais bullying, não recebia mais apelidos por sofrer de sinusite crônica, também devido ao nervosismo e ansiedade. Agora ele não quer saber de se atrasar, não quer de forma alguma faltar aula. 

Após o resgate a diretora me orientou a deixá-lo no quarto ano, porque havia uma defasagem grande no Curriculum da antiga escola, era importante ele ficar bem seguro. Foram me apresentadas  duas alternativas: passar pro quinto ano, porém lá o número de fichas pra entregar era maior, e a exigência também, ou deixar no quarto ano e resgatar de forma mais branda, os conteúdos do segundo e terceiro ano. 

  As Diferenças da Metodologia Montessoriana
         

Disposição das cadeiras

No método Montessori as cadeiras são organizadas em grupos de quatro em quatro, de modo que fiquem de frente um para o outro,  a matéria dada em sala varia de grupo pra grupo, enquanto uns estão trabalhando matemática, outro está com ciências e outro pode ser que esteja com língua portuguesa. 




Lousa
Não é matéria dada no quadro negro como nas escolas tradicionais. O quadro existe, mas é pra orientações gerais, ou explicações, quando se faz necessário pra todos. 

Sistema de Avaliações
Lá as avaliações são obtidas de forma diferenciada, todos entram com Dez, os quesitos de avaliação são diferentes, tudo é avaliado, desde de o momento que o aluno entra até a saída. 

Eles precisam dar conta das fichas, que eram 6 (se não me equivoco) de todas as disciplinas, são trabalhos, o comportamento vale nota, os exercícios em sala valem nota, a interação, as oficinas, as regências  (isso eu amei, eles dão aula pros menores, preparam uma aula, sempre monitorados, e fazem a intervenção), preparam feiras, elaboram projetos, desenvolvem e apresentam para os pais e familiares, cada quesito tem a sua porcentagem que vai somando ou diminuindo daquele dez, a prova escrita do modo tradicional, a temida prova vale 1 ponto na somatória. 

 Achei fantástico porque nota de prova não mede conhecimento, o aluno pode saber tudo e no dia da prova, dar um branco e ele tirar uma nota baixa, e essa nota vai pro boletim, sem importar se ele realmente sabe ou não. Os exercícios em sala com a professora, trabalhos e treino isso lá é levado em conta, a professora sabe se o aluno aprendeu a matéria ou se ele tem dificuldades. Meu filho fez o quarto ano novamente e pra ele foi um ano que ele ganhou de aprendizado. 

Lá ele tem o ritmo dele respeitado, não se compara uma criança com a outra, cada criança é única, e ela só é comparada com ela mesma. 

Métodos como Montessori ou Waldorf deveriam ser regra na sociedade hoje, tão acelerada, em busca de números, em busca apenas da excelência mercantilizada, olhando os pequenos como adultos em miniaturas, atropelando a infância.


Escola Maria Montessori em Campinas São José (antiga Cora Coralina)
http://www.cemariamontessori.com.br/ 


Várias séries em mesma sala

Hoje meu pimpolho está no sexto ano, e a proposta é bem diferente. Estão na mesma sala do sexto ao nono ano, agrupados em ilhas, de frente um para o outro, a quantidade de fichas agora são de 14 fichas pra entregar em uma semana, cada turma tem seu regente junto, e o professor da disciplina que está sendo dada no momento. 

Dessa forma eles ficam em contato o tempo todo com as matérias do sexto ao nono. Quando há a necessidade de explicar matéria só pro sexto, por exemplo, o professor recolhe a turma e ministra a aula no laboratório . Mas a rotina é em grupo, todos se ajudam, trabalhando a coletividade, e a liberdade com responsabilidade!!! 😉😉😉

Espero ter ajudado Marise! Beijo grande querida!



 Foto do perfil de Shirley Alessandra, A imagem pode conter: 2 pessoas, pessoas sentadas, filho e atividades ao ar livreShirley Alessandra é de Florianópolis - SC



Gratidão, querida Shirley, por compartilhar tua experiencia! Teu filhote tem sorte de ter uma mamãe assim amorosa e compromissada!
Maravilhosa caminhada! Amor que Constrói!!
Arregaçar as mangas e não desistir até encontrar a solução para o pequeno!!  É cansativo, por vezes desesperador, mas, ao final, é como salvar uma vida amada, literalmente!!! 

Os estragos que os psicotrópicos causam em crianças continuam sendo acobertados pela grande midia, a pedido das farmacêuticas e contando com a conivência de tantos médicos. 

Muitas mães, infelizmente, acabam acreditando que o filhote é que é o "responsável", pois "tem o distúrbio" e acabam medicalizando!!! Parabéns e bençãos!!!





Shirley Alessandra:GRATIDÃO a ti, ao lindo trabalho que exerces minha amiga, por meio das tuas preciosas informações, pude perceber que a medicação não é a saída.



Leia a batalha inicial vivenciada pela mãe Shirley Alessandra, quando o menino iniciou na escolinha:


"E qual é o teu trabalho, meu querido?"
"O que tem os três corações, né? É a nossa família!!!"

TDAH - Diagnosticado por 3 neuropediatras, o filhote hoje está feliz, sem ritalina, sem imipramina, nem mais homeopatia!


Por Shirley Alessandra
03.dezembro.2015


Pais, Mães, Profissionais que queiram enviar o nome de instituições para incluir na Relação podem manifestar aqui, nos comentários, por e-mail - marisejalowitzki@gmail.com ou pelo facebook, inbox ou no grupo ou página TDAH Crianças que Desafiam



PELO DIREITO DA CRIANÇA SER FELIZ!


PELO DIREITO DA CRIANÇA SER QUEM ELA É!



Você sabia? Denúncia


Isto pode?  E o tempo da palestra está valendo como atividade
complementar para a Graduação....

TDAH - Palestras nas Escolas patrocinadas pela indústria farmacêutica
- Esta ação conta com o aval do MEC e do MSaúde?

 Programa “Toda Atenção para uma vida mais completa”
Quais os objetivos?
- “Capacitação e Formação” de Educadores, antes mesmo da orientação do MEC e MS? 
- Ou incentivo ao aumento do consumo de psicotrópicos em crianças e jovens (Ritalina, Venvanse, Concerta, Aderall)? 

Quem avalizou? No folder-convite há uma menção "Válido como Atividade Complementar de Graduação" - Então, tem a autorização do MEC?  e do Ministério da Saúde? Qual a posição da ANVISA? Precisamos saber!!



 Marise Jalowitzki é educadora, escritora, blogueira e colunista. Palestrante Internacional, certificada pelo IFTDO - Institute of Federations of Training and Development, com sede na Virginia-USA. Especialista em Gestão de Recursos Humanos pela Fundação Getúlio Vargas. Criou e coordenou cursos de Formação de Facilitadores - níveis fundamental e master. Coordenou oficinas em congressos, eventos de desenvolvimento humano em instituições nacionais e internacionais, escolas, empresas, grupos de apoio, instituições hospitalares e religiosas por mais de duas décadas Autora de diversos livros, todos voltados ao desenvolvimento humano saudável. marisejalowitzki@gmail.com 

blogs:

http://tdahcriancasquedesafiam.blogspot.com.br/

Para adquirir e obter mais informações, veja no blog  (AQUI) ou encaminhe e-mail para:
marisejalowitzki@gmail.com